O blog
Dizem que falar aos cotovelos é ruim. Dizem que expressar opinião é ótimo, em alguns casos. Unindo ambas as coisas essa pequena garota irá tentar defender as suas próprias opiniões rebeldes e muitas vezes sem causa, de coisas cotidianas, valhas ou às vezes inúteis; passando o tempo aqui, vendo as horas voarem e digitando descontroladoramente palavras aleatórias, porque isso sim é de sua estranha natureza.

Quem
Gabriela Andrade, uma senhorita com 23 anos vividos de misturas sentimentais, questões polêmicas, questionamentos insanos e utópicos sobre o mundo, englobados em torno de muitas confusões. Anseia por um futuro melhor, mas se saberá o que será do temido e exasperado amanhã?

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Amigo Fiel
Comentários (4) // quarta-feira, 29 de julho de 2009
Ela estava sentada em sua cadeira preferida e diante do seu melhor companheiro, ainda assim nada vinha, sentia um turbilhão de idéias passarem-se rapidamente por sua mente, mas com essa mesma velocidade estas lhe fugiam do cérebro. Necessitava escrever algo magnífico e surreal, isso a apavorava...



Em outras auroras, encontrava o céu celeste translúcido como água em rio berrante. A correria de aquele soar ribeirinho a qual observava era sinônima do reflexo da sua alma. Se colocasse a mão entre os resquícios passageiros, sentiria com todas as forças que algo iria tocá-la. Notou inércia adjunta a um súbito déjà vu. Cobriu a face com as águas cristalinas que jorravam conforto. Não pôde respirar por alguns segundos e isso fez a sua mente flutuar. Viajou por dentre as estrelas do seu suntuoso mar. Pensamentos infinitos surgiam em sua mente e agiam como crianças felizes divertindo-se com brincadeiras de ruas típicas. Já se sentia um pouco asfixiada. Resolveu emergir, todavia o peso que a sua cabeça acumulara era maior do que poderia de fato aguentar.
Novamente as lágrimas habituais escorregaram com facilidade defronte, preenchendo o seu enorme vazio. Não sabia mais o que fazer, por que tanto esforço fora subitamente em vão? Estava forte, feliz e segura. De repente parecia que tudo aquilo ocorrera há séculos, ou então que jamais sentira. Os pássaros pousaram rapidamente a alguns passos de onde estava. Decidiu se acalmar ouvindo a melodia que soava tão docemente. Deitou-se na suave campina e olhou para bem alto, cerca de milhares de quilômetros acima. Percebeu que os seus problemas não eram absolutamente nada, quando comparados com os milhões de corações sangrando e chorando.
Ao longe ouviu algum estranho lhe dizer:
“Olhai para as aves do céu: Não semeiam, nem ceifam, nem recolhem em celeiros; e o vosso Pai celeste alimenta-as. Não valeis vós mais do que elas? Qual de vós, por mais que se preocupe, pode acrescentar um só côvado à duração de sua vida?” Sorrateiramente aproximou-se e permaneceu em choque. Com isso, ele proferiu que era somente uma parte do livro da Vida e que se encaixaria porventura, como uma luva nos dedos já endurecidos de seu coração. Ficou estática, internamente os rios escaldantes das suas emoções extravasavam por dentre cachoeiras feridas.
O ser desconhecido ergueu os braços aos ares e, após mirar as nuvens, direcionou-se à garota, argumentando:
- A vida não é tão fácil quanto podem as nossas mãos apalpar, mas não é tão difícil ao ponto de não podermos enxergá-la em poucos passos. Há Alguém muito especial fitando-nos a cada momento e torcendo para que as nossas escolhas façam-nos bem. Não será por ofensas alheias ou insultos mundanos de indivíduos imperfeitos que você irá se entregar ao vento, como um espírito mórbido. Quem te disse para o fizer? Se ontem você poderia com espadas lutar e hoje já nem as consegue pegar, é normal. Os momentos são compostos por vitórias, porém por fraquezas também. Com os próprios erros aprende-se que ficar observando é o mesmo que deixar a linha do tempo caminhar descontroladoramente, trazendo sinais de velhice, recordações tristes, antigas e amarguras de fatos que poderiam ter acontecido, só que a mesmice traiçoeira não deixou. Trago comigo, cara pequena, uma mensagem que recebi dos seus pensamentos. Por que eles andam tão tristes?
Assustou-se. Aquele homem, aparentemente com boa intenção e aparência deslumbrante, desvendou toda a sua caixinha misteriosa de segredos, decifrou-lhe o coração e a pôs para pensar. Não pôde aguentar, desabou no chão e as suas pernas logo tocaram as verdes gramíneas. Um estranho encontrara todo o caminho condutor para a sua completa calmaria. Era utópico crer em tantas coisas devaneantes que estavam a ocorrer. O conforto súbito e imenso abandonou qualquer hipótese de questionamento interno. Denominou-o apenas como um anjo, assaz sublime.
Minutos se passaram e abruptamente ouviu um: “Gabriela, saia já dessa cama, estamos atrasadas!” Remexeu-se procurando por vestígios daquela paisagem inesquecível, da outrora vislumbrante que lhe proporcionou tamanha animação para viver. Acordou num dia nebuloso, com pingos d’água e escuridão encobrindo a atmosfera. Foi um sonho, mas jamais sentira algo tão real quanto aquilo fora. Passou por situações de sua vida extremamente complicadas, tudo era aquém de sua visão, pois nunca o vira, ouvira ou escutara novamente, mas sempre sentia amor enorme ao seu redor, a segurando-a como numa cápsula protetora e desviando-a de todos os males da humanidade. Estava segura, duma forma jamais imaginável.
Na verdade, a quimera fora apenas uma confirmação do Amigo fiel que nunca a abandonou e neste mundo a colocou. Aquele todo poderoso, o qual posteriormente descobriu não ser um anjo e sim o seu Pai de amor.

... Então, a garota das roupas roxas elevou as mãos sob o ar pairante e pensou naquilo que do fundo do seu coração liberou. Não ficara bom de fato, todavia a sinceridade prevaleceu. Às vezes, dizem que as palavras verdadeiras são aquelas que nos modificam, assim foram estas que a transformou.

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Desativação
Comentários (8) // sexta-feira, 17 de julho de 2009
Este blog surgiu acoplado com a certeza única de seguir jornalismo. E está se esvaindo juntamente com o adeus dessa carreira e muitos imprevistos que em minha vida estão surgindo. Pude ver que este não é o meu verdadeiro sonho e não será por meio dessa profissão que acordarei todos os dias com um sorriso bobo estampado no rosto mesmo nas turbulências do cotidiano, ansiosa pelo trabalho que me esperará. Não me peça confiança em todas as atitudes, pois nem sei o que acontecerá nos próximos minutos, quiçá duma escolha tão importante que me faz perder o sono direto. Esta página dentre milhões na internet permanecerá desativada por algum tempo. Dias, semanas, meses ou poucas horas. Muitas coisas deixaram-me sentindo atordoada. O vestibular não espera e mesmo com guerras infinitas, caminha para a seleção dos futuros universitários. Eu não quero perder a minha chance, pois há sorrisos torcendo por mim e jamais queria entristecê-los.
Existem espadas mirando corações e como num jogo cruel, é preciso ver o que realmente será valho. A falta de muitos ânimos aumenta a cada segundo disparado, é necessário ser forte mesmo estando assim. Apesar de amar cada instante que passo escrevendo aqui, um receio enorme me atinge a cada batida do relógio em prontidão, deixando cair lágrimas de escuridão.
Em alguns momentos, a estrada pode não parecer tão fácil e conseguir chegar a ser um pequeno empecilho que devasta algumas alegrias e as substitui por suspiros cansativos, já (des)iludidos. É preciso encarar e ver que nenhum desafio é tão pouco possível quando se tem ótimas companhias. Deixar que as decepções lhes dominem é um ato covarde, precisamos reagir.
Infelizmente vocês não poderão dar uma festa de arromba, porque se tudo der certo, voltarei em breve com mais blábláblá vazantes de letrinhas aleatórias. Por favor, desejem-me sorte com as provas da escola que me/nos esperam de braços abertos e com questões delirantes.

Agradecimentos: a todos aqueles que passam alguns minutos nesse cantinho público e secreto, tornando-o especial. Muito obrigada!

Fonte da foto: aqui

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Indagações
Comentários (0) // quinta-feira, 16 de julho de 2009
Somente uma saída a minha alma encontra para se distanciar do tumulto em que o meu corpo padece. Somente um refúgio ela consegue se abrigar diante a tantas infelicidades. Somente um abrigo era confortador o bastante para refugiar as constantes lágrimas que insistiam em cair defronte. Somente um meio, uma via, com um único acesso. A escrita. Permiti que os medos calassem os meus anseios de bravura. Permiti que as dúvidas prevalecessem dentre tantas certezas. Permiti que o pensamento alheio fosse mais importante que a minha próxima fala. Permiti que a estrada fosse curta sob a minha visão. Permiti que não houvesse lutas contra o meu coração. Permiti que a companhia não fosse tão essencial, quando na verdade era indispensável. Permiti não ser tão amável quando se era urgente. Permiti acreditar naquele que mente. Permiti que a ilusão invadisse a minha realidade e que um conto de fadas fosse a minha inteira verdade. Deixei-me levar por ondas tortuosas, compostas por mares onde haviam cobras. Deixei-me enganar pelo viver do sofrer. Deixei-me esquecer das coisas boas aliadas ao meu ser. Levei respostas certas para perguntas erradas e agora estou aqui, tentando encontrar caminhos enumerados pela estrada. Seguir-se-ia somente um mapa, com todas as direções. Um guia que me levasse ao caminho, onde as palavras que saem de mim fizessem algum sentido.

Fonte da foto: aqui

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Alfabetando reminiscências
Comentários (4) // terça-feira, 14 de julho de 2009
Sento e penso. Automaticamente o meu baú de memórias abre-se para o meu mundo, um lugar confuso e cheio de falas sem fim, composto por lembranças de tardes enevoadas e confusões armadas. O meu passado resume-se em dias ensolarados com alegrias constantes. Aquilo de ruim é tentado ser esquecido, ou colocado a sete chaves e enterrado no fundo das minhas entranhas. Obviamente na secreta caixinha de surpresas há coisas indizíveis e fatos inusitados. A vida é composta por momentos que logo quando expirados tornam-se lembranças. Algumas nos remetem frequentemente à mente e causam mal ou bem estar, outras são afastadas para uma dimensão distante. Muitas pessoas fazem tratamentos a fim de recuperar os momentos vividos e esquecidos, supostamente procurando a própria identidade. Viver agradecendo a cada oxigênio infiltrado pelas narinas é melhor do que vagar falas próprias pelo museu da vida, imaginando se as moedas históricas de ouro poderiam ser substituídas.

Entrelinhas:
a criatividade anda beirando o solo, então não liguem.

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Estão chamando-te
Comentários (4) // sábado, 11 de julho de 2009
Hesitei duramente por fazer o seguinte texto. Concordo com o que a Lya Luft escreveu há algumas semanas sobre os seres humanos, em relação aos últimos acontecimentos. Existem inúmeros defensores em prol dos animais, todavia, quem serão os nossos protetores? Ambos lados estão sendo tratados precariamente, o descuido reina em benefício da constante agitação mundial, ocasionando possivelmente um estresse geral.

Mar Vermelho

Penso que estamos aqui por alguma razão, afinal não vencemos uma corrida com milhões de espermatozóides aleatoriamente. Entretanto, muitos não acreditam nisso e vivem com amargura estampada na face e pedras que desdenham os seus anseios.
A consciência, seja ela diversa é tentada a se infiltrar em nossas mentes por diversos meios. O meu professor de português disse-me/implorou para jamais colocar como solução em redação, a conscientização da população. Este usou o argumento de que se os indivíduos não soubessem o que é ou não certo e errado, eles não olhariam para os lados antes de falar mal de alguém ou jogar o lixo no chão. Concordo plenamente, a escassez de atitudes gera a evasão para o excessivo falatório.
Mandaram-me fotos de algumas tragédias cometidas pelo ser humano e dentre diversas, chamou-me a atenção algo que estava escrito assim: “Norway y Canada tienen un nuevo deporte; matar focas” (Norway e Canadá têm um novo esporte, matar focas). Lastimavelmente, é algo que palavras não expressarão nem do mais simples modo a indignidade que reveste as minhas pálpebras.
Nas áreas cobertas por mares gelados, há excessiva matança de ingênuos animais a fim da obtenção de lucros ou puro divertimento e zombaria, considerado um novo meio de “entretenimento” ridículo e absolutamente desumano. Acontece que a natureza possui um rico ecossistema demasiadamente complexo e se algum elemento é retirado, significa diretamente num desequilíbrio inevitável. Se ao menos os “racionais” pensassem na surreal provedora de emoções ou na nossa admirável fonte inspiradora e indizível, teríamos uma sociedade melhor.
Os Estados Unidos querem a internacionalização da nossa magnífica Floresta Amazônica, creio que eu deva chorar com tamanha comoção dum país tão bom, muito generoso e preocupado com o futuro da nação, uma pátria infinitamente honrada e pacífica, ao ponto de não fazer parte do Tratado de Kyoto e criar guerras, as quais o dinheiro gasto acabaria com a fome mundial.
Obviamente os países desenvolvidos estão mirando-nos por puro interesse financeiro. Se a população global estivesse tão preocupada com o famoso e já atormentado aquecimento global, os investimentos destinados à indústria e gás carbônico, seriam revertidos unicamente para fins rentáveis quanto ao nosso meio ambiente. Advém que nós, só insistimos em esvair pensamentos egoístas quando a situação é totalmente intolerante.
Não é devido ao governo de um país tido como irregular que eu vou sentar-me e lastimar durante toda a minha vida por atitudes que não foram concretizadas. Carrego comigo um Estado pertencente e não obstante, o direito de cidadã universal, como todos nós. Logo, repugnarei sangues no mar para couros de roupas ou passatempo de tédio e o adeus de vidas ligadas às condições inumericamente problemáticas.

Dica de leitura: A Internacionalização do Mundo, escrito magnificamente bem pelo Cristovam Buarque.

Entrelinhas: a garota das roupas roxas não é nenhuma aliada fortemente aos seres que não vivem a realidade ou revolucionários doidos. Infelizmente ela está com os pés sobre o cinzento concreto, mirando absurdos cotidianos. Sabe que somente a sua parte não mudará o mundo e é por isso que tanto escreve aqui, com a esperança enchendo-lhe os olhos.

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Compuseram-me
Comentários (5) // quarta-feira, 8 de julho de 2009
Sei que isso parece demasiadamente tolo, mas hoje o blog faz 1 mês e como uma “mãe coruja” eu estou feliz pelo fato de ter conseguido aguentar, apesar das diversas confusões. Como aquelas pessoas que aparecem em programas televisivos ao vivo, eu queria agradecer a todos, inclusive ao papagaio da vizinha do fundo. Estou ciente de que cometi diversos erros, até com indivíduos que pessoalmente eu não conheço. Contudo, não sei se desculpas adiantarão, mas eu as peço. Espero ser melhor verdadeiramente e em todos os aspectos, tanto na escrita quanto como ser humana. Se ainda estou aqui é por causa de amigos que respeitam o magnífico significado da palavra. Iria citar nomes, só que não posso dizer "novamente e mais uma vez" algo que é estampado como num outdoor com luzes piscantes em mim.
Enfim, o texto abaixo é muito pessoal, mas motivos de força maior fizeram-me postá-lo.

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Algum dia do ano, em pleno século XXI e em algum lugar do Planeta Terra.

Querido vovô,

Já se passam mais de 16 anos que neste mundo eu surgi. Creio que o senhor nem deve saber sobre a minha existência e muito menos por tudo o que eu vivi. Por anos a fio eu ouvia as minhas amigas comentarem sobre o feriado na casa dos seus nonos e sem nenhuma noção, permanecia quieta e se não, lhes contava tudo o que havia aprontado com a vovó materna. Instintivamente pediam-me desculpas por algo que eu não pudera ter a mínima consciência, obviamente nós não podemos sentir falta ou saudades daquilo que nunca tivemos. Certa vez, recordo-me até hoje, uma mulher no ônibus sentou-se ao meu lado, juntamente com a minha mãe. Ela nem ao menos me conhecia e de fato, mamãe e eu a achávamos ligeiramente esquisita. Fez-me diversas perguntas e dentre estas, uma era sobre você, para a nossa surpresa. Lembro-me que fiquei impressionada com tudo o que dizia, eram coisas que jamais ouvira. Falava-me que você estava no Céu, num lugar muito distante e que um dia iria voltar para cá, enquanto isso aguardava refletindo-se como uma estrela a brilhar grandemente. Seria imprudente citar que para uma menina com a vida a aflorar recentemente, tais coisas não soaram do mais estúpido modo. Os anos passaram-se e muitas coisas ocorreram, devo admitir que certamente esteja feliz por ti. Neste mundo vejo sangue a derramar, crianças com açoite apanhar, milhões por fome morrer e pergunto-me se será mesmo que alguma solução nós iremos ter.
Voltando ao tema central... Tempo demais se passou desde que por aquele acidente você nos disse adeus. Era tarde para querer renunciar o que o destino prometera, mas por que tivemos que pagar os estúpidos erros cometidos pelos transgressores de leis? Acredito que é muito pedir-lhes para respeitar as normas impostas para a sociedade a fim de se viver bem. Às vezes eu observo crianças com os seus vovôs e eu fico a imaginar se nós seriamos iguais. Devo ser realista e não idealizar alguém que jamais pudera eu conhecer, entretanto quem disse que conseguimos imaginar sem depositar nos sonhos as nossas ilusões? Fatos ocorreram, o mundo está bem mais distinto, diria até que você não o reconheceria. O tempo é a prova mais verídica de que as órbitas giram e ora por tal fato tornar-se-ão inconstantes. Ainda penso em qual companhia eu irei usar para essa carta chegar ao seu destinatário, provavelmente nem precisarei de uma, pois “as palavras têm vida, e ganham o sentimento de quem as escreve”. Logo, estou gerando uma nova vida, que poderá desenvolver-se e criando independência, voar pelos ares, e voando alto algum dia possa lhe alcançar. Escrevo-lhe não somente para contar que estamos bem, mas também que por desentendimentos passamos e embora isso não lhe possa fazer bem, eu necessito de uma força para lutar e continuar. Sinto que a minha bateria já está acabando e o meu carregador ficou perdido pela estrada. Se achá-lo entregue para a Avenida da Veia Cava, Rua Átrio Direito e Número: Coração Único, necessitando de mais informações, peça para o impulso nervoso enviar ao cérebro o seu pedido, se lho negar diga que é urgente e lhe cause adrenalina, com certeza, fazendo isso, nada se passará de rápidos segundos menores que as batidas do órgão principal. Não sei como acabar, sinto que quando isso eu fizer, possa perder o que me resta, terei medo, como ser forte agora? Contar até determinado número e em seguida despedir-me será pior, sou horrível em dizer adeus. Fechar os olhos e escrever a primeira palavra que à mente passar-me parece soar melhor, depois diga o que achas. Se tais coisas eu fizer, piorar-se-á. Meus dedos insistem em aqui permanecerem. O meu espírito está dividido em meio a tantas opções. Farei uma singela ida a menos que prometa responder-me, assim ninguém se machucará e nem de receio sofrerá. Não me deixe perdida num Universo assim, eu preciso de você mais do que os quase 6000 dias por mim jazidos. O receio de ser como uma árvore sem frutos me abate diariamente, quando as minhas energias despedem-se de mim e vão fazer moradas num longínquo lugar. Os motivos dir-lhe-ei numa outra aurora resplandecente.

Com o meu maior amor,
Sua eterna neta (a garota das roupas roxas).

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Jogos de viver
Comentários (1) // terça-feira, 7 de julho de 2009
O engraçado é rir de estereótipos comuns que viraram clichês. Piadas com “gordinhos”, “nerds”, pessoas que usam óculos com grau avançado, “patricinhas”, loiras, morenas, portugueses e afins são típicas para emitir tom humorístico totalmente sem nexo. Ofender os demais enquanto os fere para um suposto divertimento é algo desumano, além de possuir lonjura ignorância. Programas sensacionalistas de baixo nível aderem ao desrespeito de alguns dos direitos humanos, todavia, os adeptos são numerosos e eles tornam-se o combustível para a criação dessa utopia. Existem também os que praticam indesejavelmente e disparadamente o já famoso “bullying”.
A sociedade escolhe para si os meios íntimos a fim de se entreter. Não impusemos barreiras, então o que estamos a cobrar? Esperamos que houvessem limites, mas o existir depende do agir. Aquilo que a imaginação anseia com todas as forças e fraquezas deve ser liberado aos sete mares, a todos os cantos do mundo. Temos as convicções nas mãos e as silenciamos com o medo de diferenciar. Absolutamente, o receio não apavorou os jovens revolucionários da década do final de 60, 70 e 80. Eles buscavam a liberdade por meio daquilo que acreditavam, afinal, no que confiamos?
A cabeça baixa, o olhar ao longe, os anseios próprios e o egoísmo absoluto mutuamente aliado com a ausência de educação, não lhes eram características marcantes.
Viver é bem mais que proferir singelas palavras. É acreditar, sofrer, chorar, rir, entristecer-se, experimentar novidades positivas e por fim, aprender. É saber escolher quais os caminhos seguir em meio a milhões. É lutar para entender o próximo e não atirar a primeira pedra para julgá-lo. É algo inacreditável que alfabeto nenhum traduz.

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Relato dum tortuoso sábado
Comentários (2) // domingo, 5 de julho de 2009
O seu pai passa a cada cinco minutos para lhe acordar, com os olhos vagando pelas altas quatro paredes de seu quarto ela diz o que se parece mais com um silencioso murmúrio: “Já vou, um minuto”. Não obstante, ele novamente vem e diz se a sua irresponsabilidade será tamanha para chegar atrasada ao teste de inglês. Com cara de quem não conseguiu dormir e vestígios ainda de uma forte gripe, ela diz que não, que agirá como o figurino demanda e não medirá esforços para seguir as regras do mais perfeito modo. Se o seu corpo obedecesse, seria bem mais fácil.
O carro passa rapidamente pelas avenidas, ela ainda está comendo o seu café-da-manhã, como sempre. Chega à escola com um pedaço grande de pão com manteiga num guardanapo. Todos a olham com ligeira estranheza, entretanto, era mais do que um hábito particular seu andar com a refeição, já que demora demasiadamente para comer.
Percebera que chegara longos 20 minutos adiantada, logo resolve conversar com uma garota da turma, que como ela estava em prontidão. Aos poucos o corredor vai se enchendo com pessoas ansiosas para fechar também o semestre. De repente a “teacher” sai da sala e sem enganos olha para a garota, que supostamente foi uma das primeiras a chegar, perguntou-lhe o porquê dela não chamar os outros para entrar e fazer logo a prova.
Sem entender muita coisa, ela entra juntamente com várias pessoas que juntara para ficar na passagem, obviamente não sabia que podia ter se livrado daquilo antes.
Os pensamentos a invadiam num súbito turbilhão de reviravoltas e ondas gigantes, que por ora a destruía. Conseguia tudo, menos se concentrar.
Acabou a avaliação e esperou a correção impaciente lendo um livro de cabeceira sobre o jornalismo. Não, não o conseguia lê-lo. Uma ou duas páginas no máximo. Depois descobriu que ainda havia a reescrita da redação, que estupidamente ficou ruim.
Foi relativamente bem em ambas avaliações, isso era um pequeno alívio. Só que esse conforto não representava nada perto da sua gigante agonia. O rosto do professor que ela mais admirava não saia de sua mente, uma cara de frustração e decepção com o seu resultado, mediante todos os acontecimentos. Não era só isso que a inquietava. Os segundos demoravam como nunca para passar, a cada batida do relógio, era como uma facada em seu coração.
O seu fracasso a cada passo a deixava jogada ao chão. As pessoas começaram a brigar com ela, não sabiam que as palavras tinham tamanho efeito para os seus pobres ouvidos. Atordoada chegou ao ponto de ônibus, ligou o seu dispositivo na maior altura e quis esquecer-se do mundo, viajar para as notas musicais. Sem conseguir de maneira alguma, pegou novamente o seu livro e desafiou as letras para entendê-las. Felizmente o seu condutor chegou rapidamente. Ao entrar ela sentiu receio, um forte pressentimento, algo que atinge o corpo como uma flecha. Pensou logicamente que não se passara de um mau súbito ou ainda a gripe que a dominara, mas não era.
O ônibus estava quase vazio, havia poucas almas vagando por ele. Sentou-se num lugar com claridade e pensou em todos que compuseram o seu dia. A angústia dominou-lhe, a conversa com a amiga causou-lhe tristeza e a música (trilha sonora do último filme que vira) não ajudou muito. Fechou os olhos e tentou imaginar que estava tudo bem. Buscou consolo na imagem externa. Não, definitivamente não pudera confortar-se diante crianças pedindo dinheiro, adultos deitados na calçada sem roupas num dia frio, motoristas xingando uns aos outros e idosos sem ajuda para atravessar a rua. Ficou novamente absorta em pensamentos, devaneios e permitiu que a melodia a guiasse.
Ao cair duramente na realidade, viu o seu ponto passando, tentou apertar o botão, mas não conseguira. Sentou-se com fado. Esperou a próxima parada com alívio e percebeu que era impossível descer num lugar com o crime reinando. O motorista e o cobrador brigaram com ela por simplesmente não sair, mesmo que passageiros entraram e seria tolo reclamar de apertar somente um botão. Vira que enfrentá-los seria a mais pura tolice. Proferiu um sutil “desculpas”.
Desceu no próximo ponto, já bem distante da sua casa e viu que tudo era bem mais diferente. Não foi nem perto do que se perder no shopping com a sua mãe ou sumir no Castelo Rá-Tim-Bum e ficar chorando com as guias. Ela estava sozinha e o seu único companheiro era o medo. Ligou para os pais, mas seria melhor achar o seu caminho só. Estava na Praça da Sé, a alguns passos da 25 de Março e estranhos passavam desesperadamente, logo a fumaça de milhares de “churrasquinhos de gato” invadiram a sua visão. Não havia motivos para a preocupação, ela estava praticamente no coração da sua cidade e a conhecia muito bem. Entretanto, é bem mais fácil encarar usuários de drogas passando pela sua frente, assaltantes e bêbados quando se está acompanhada.
Agarrou firmemente a sua bolsa, voltou os seus olhos para frente e o seu andar compassado tornou-se rápido. Tentava esquecer-se das brigas que tivera, dos desastres e de tudo. Conseguira entrar naquele que a levaria para o seu lar. Ficou tensa, há um longo tempo tem certo trauma quanto aos cobradores e motoristas de ônibus. Todavia, tinha um ar aconchegante, os passageiros pareciam ser-lhes conhecidos. Sentiu-se bem, pode respirar. Tudo se passou rápido, o alívio enorme lhe subiu a mente. Parou e finalmente disse adeus àquela confusão e seguiu em frente, a caminho da sua família, o seu porto seguro.
As inúmeras lembranças daquele cálido sábado e o maior medo sentido em sua vida, jamais apagar-se-ão em suas memórias,

a garota das roupas roxas.

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Shopaholic
Comentários (4) // sexta-feira, 3 de julho de 2009
Quem nunca sonhou mesmo que intimamente em fazer compras nos melhores pólos comerciais e em tantos outros patamares da moda mundial, que atire o primeiro tijolo do último andar do prédio.
O mundo gira em torno de cifras. Dólares, cotações, reais, pesos mexicanos, euros e enfim, milhares de moedas diferentes carregando sempre o mesmo significado.
O dinheiro para nós, mulheres, é a entrada para o Céu terrestre. É o passaporte para os meros tecidos de poliéster, 100% algodão, caxemira, cores exuberantes e peças inacreditáveis. Uma bolsa Prada gera um instinto inexplicável. Um vestido de seda pura nos torna como seres inexistentes. Sentimos, sonhamos e compramos. Por ora, extrapolamos. Esquece-se do mundo, das dívidas, poupanças, economias, empregos, eventos marcados, reuniões, família, amigos e enfim, tudo. Somente pensamos naquele lindo sapato que está a nos tentar, na liquidação relâmpago que nos fez perder completamente a concentração e focalizamos unicamente o último modelo que para nós, foi feito exclusivamente. Porém, o encanto acaba de forma drástica e lastimável quando a fatura e o limite mensal estourados acertam em cheio os pobres corações desamparados e tristes, cegos pela vaidade real. A tristeza presente faz com que a fraqueza não resista a mais vitrines mega glamorosas. O ciclo vicioso começa e no final, percebe-se que nada se passou do mais terrível engano. Sim, a pior fraude revestida por peças de couro magicamente encobertas por cartões de créditos, que inicialmente dizem ter as melhores tarifas, apoio bancário e sempre estar de portas abertas para as nossas dívidas. Só que essas entradas vêm acompanhadas de taxas elevadíssimas de juros e cobranças impiedosas.
Às vezes a vida é como a escolha de um presente pessoal. Em meio a tantas opções, sempre temos o receio e a dúvida sobre qual será melhor e após o comprarmos, observamos como uma realização íntima de grande porte. Se batalharmos para tê-lo, as preocupações não aparecerão. Todavia, se o consumirmos por meio da varinha de condão denominada cartão de crédito, as dificuldades aparecerão e com elas o desespero de mais um débito.

Delírios de consumo de Becky Bloom - “Sabe quando você vê um bonitão, ele sorri e seu coração meio que derrete feito manteiga em pão quente? Bem, é isso que sinto quando vejo uma loja”.

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Amor
Comentários (2) // quinta-feira, 2 de julho de 2009
Já tentei diversas vezes escrever sobre o amor, todavia nunca consegui expressar de modo longínquo, a magia desse complexo significado. Ao ver cenas tocantes, sinto lágrimas encobrirem alheias faces e ao ouvir músicas emocionantes, sinto-me viajar. Decerto, tal incógnita flutua nesses momentos pelo ar. Não há palavras que cheguem perto e também sentimentos que possam ser únicos para relatar a mistura de milhões de células emanando ao cérebro, distintas emoções. As que agem juntas e separadamente, como um time onde cada participante atua em destaque. A acepção de uma lágrima é somente o vazio líquido quando o coração está a chorar.
Nada podemos fazer diante ao exército de soldados magnificamente competentes, que com armas disparadas por diversos ângulos nos atingem, com bombas nos resgatam do mais profundo poço e com rápidos golpes nos permitem à vida voltar. Muitas pessoas perdem a oportunidade inerente para o reluzir e, ficam eternamente a fechar os olhos para os demais, a abrir um mundo de amarguras antigas e a só enxergar lamúrias ao redor.
Aqueles que veem nos ataques dos guerreiros um adeus à vida e a toda uma história, permanecem acorrentados pelo medo. Os que se sentem intimidados são pegos facilmente e levados ao quartel onde o sol não brilha e as grades transmitem a sombra oculta de alarmes temerosos, que os fazem sentir com as roupas molhadas e os olhos marejados, ao passo de que se arrependem da bravura que não tiveram.
O olhar ameaçador dos indivíduos que refletem súbita coragem naqueles que foram por ora amedrontados, faz com que a força renasça em nome do amor. É o início do combate de uma guerra, onde não há um fim predestinado, contudo o prêmio concebido é infindável. A luta do amor não tem um término. Possui inúmeros ganhos e algumas perdas também, porém os que esperam para vê-la concretizar em sua vida, fecham as pálpebras com alegria e sorrisos prodigiosos nos lábios ao dizer adeus a este mundo - um lugar de tristezas. Essa negatividade pode ser substituída pelas luzes que há em nossos corações. Hei de conseguir indicar as minhas e você?

Entrelinhas: hoje o dia está com cara de coração. Garoa lá fora, trazendo a calmaria repentina para aqui dentro. A janela respingando as cores pálidas do dia e as músicas lentas embalando essa tarde, um mar de rosas ausente de vaidade.

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Sensações imaginárias
Comentários (2) // quarta-feira, 1 de julho de 2009
Ela vai para a escola e não se ouve uma só palavra sua. A timidez assume o seu modo de vida e assim carrega a sua sina eternamente. O convívio com outras pessoas a amedronta. Por que pela Internet, por meio das telas é tudo tão fácil? Não é preciso nenhuma espontaneidade, pois os emoctions expressarão tudo o que ela sente. Infelizmente, o sentido maravilhoso que não é caracterizado por falsidade acarreta tantas coisas ruins? Após um desabafo com alguém que nem ao menos você conhece, o planeta gira em torno das amizades sem os olhos. Aparentemente, todos os problemas se resolverão com aquela conversa de horas sem fim com a melhor amiga do fake (falso em inglês) e os 800 contatos do MSN farão com que a nossa pequena garota não se sinta solitária.
Há uma faca de dois gumes na questão. Enquanto o prazer sentido faz a privacidade ser liberada, extravasando informações pessoais, os ladrões de felicidade estão soltos e diferentemente da realidade, não será possível distingui-los usando os cinco sentidos. Tal fator favorável para estes, ocasiona no número crescente de encontro às cegas, que torna-se um caso de pedofilia ou até crimes maiores. Obviamente há exceções, mas ao arriscar uma própria, você põe em cheque a sua vida, seja ela real ou não e sem valor ou não.
As discussões ao redor dessa nova amizade aumentam constantemente. Sinceramente eu nunca ouvi um pai ou alguma mãe dizer: “Filhinho (a), vai brincar com os seus amiguinhos da rede e os convide para vir aqui em casa”. Absurda tal ideia, não?
A geração aprendendo a romper a distância participa de um quase teatro, onde após as cortinas fecharem-se e a plateia aplaudir, a realidade invade e mesmo com essa irrupção, a magia permanece no ar. Os nossos atores interpretam tão bem que é quase impossível distinguir se os nomes usados não são os seus verídicos. Parece confuso e um pouco absurdo para quem não está adentro desse fascínio surreal.
Os inúmeros benefícios vistos do ângulo de seus participantes significam milhões de vezes mais do que os malefícios. Entreter-se durante tempo indeterminado com alguém que aparentemente te entenda, é melhor do que passar momentos de sua vida com indivíduos que te criticam e nunca puderam lhe compreender.
As dúvidas permanecem quando o desejo de excluir a conta fictícia dessa outra dimensão é irrompida pelo fato de se ter lá, irmãos e não amigos. O coração fica na mão e a partir desse momento é unicamente ele quem dirá o que se deve fazer.
Será que respirar oxigênio e abraçar verdadeiramente é melhor do que conectar-se ao outro patamar e lá encontrar o Príncipe Encantado e todos os amigos compreensivos?
Nada é extremamente ruim. A amizade virtual pode ser linda se você souber usá-la. A mente não pode se focalizar num único aspecto. Conversar pessoalmente com alguém enquanto se pensa nas mensagens que precisava dar e nos recados que deveria responder, é um mau índice. Saber aproveitar a vida é incomparavelmente a nossa prioridade, pois ao negar um sol primaveril para aceitar depoimentos sem fim pelo Orkut, você estará fazendo a sua escolha. Às vezes ela te conduzirá a um território desconhecido, com perigos e armadilhas. Por isso é necessário saber o que é uma ilusão, a fim de não deixar que a sua vida ronde em uma.

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